domingo, 19 de março de 2017

Uma peça de produção da Fábrica das Devezas

 



Esta coluna, produzida na Fábrica das Devesas, em Gaia, foi leiloada pela Cabral de Moncada, no seu último leilão. Curiosa, pedi autorização para fotografar a peça. Não pode brilhar em todo o seu esplendor, pois o local onde se encontrava não era o mais favorável. No entanto, não deixam de ser realçadas, quer a sua elegância, quer a riqueza da sua decoração.
Colocadas lado a lado, as duas imagens - ao vivo e no catálogo - corroboram a afirmação anterior.
António  Almeida da Costa, a partir de 1870, tornou-se no único gerente da fábrica. O controle de todo "o processo produtivo, desde a obtenção das matérias-primas e seu transporte, até à produção e distribuição dos produtos"1permitiu-lhe alcançar um grande sucesso comercial, a que se aliava a boa localização da fábrica, bem como uma esclarecida estratégia publicitária do empresário.
No Catálogo da Fábrica das Devesas de 1910, sob o número 474, encontramos a coluna ultimamente leiloada. É descrita como uma coluna ornada, com o custo de 2$000 reis se for fosca ou de 3$000, se for vidrada.

 



Apresenta uma decoração clássica. Base com uma cercadura de folhagem, provavelmente de folhas de acanto. Segue-se uma parte da coluna ondulada. Novamente, uma ornamentação floral, que estabelece a separação com o restante fuste, liso. É encimado por uma secção rectangular, que servia para a colocação de outra peça.
Mostra uma marca relevada, mas com desgaste, pelo que é difícil identificar as palavras.
 
 

 
Também  referenciadas como de fabrico das Devesas, um par de colunas leiloadas na Cabral de Moncada, em Dezembro de 2015. Na mesma página do Catálogo de 1910 pode observar-se o modelo, com o nº470. Vem com a designação de "Oliveira Monteiro" e o custo é de 3$500 reis - fosca - e 5$000 - vidrada -, respectivamente.
 



 
 
 
Ainda, seguindo na linha de publicitação dos seus produtos, António Almeida da Costa, começou " as exibições públicas de novos artefactos, quer no Porto, quer na própria fábrica, sobretudo em épocas que se sabia ser de grande afluência de pessoas à estação ferroviária das Devesas"2.
 
Também, como forma de divulgar os seus produtos participou em exposições  nacionais e internacionais. Foi o caso, no ano de 1882, da Exposição de Cerâmica no Palácio de Cristal do Porto. A afluência foi grande, como nos demonstra a imagem publicada no nº147, da Revista "O Ocidente".
 
 
 



 
1/2 -Francisco Queiroz "Os Catálogos da Fábrica das Devesas". Chiado Editora, 2016, pg. 21 e 22.
 



quarta-feira, 8 de março de 2017

O deita gatos






 
 
Encontrei este pequeno postal, datado do início do século XX, com a imagem de uma criança, cuja profissão era a de "deitar gatos". Para quem é de idade mais recente, não recorda estas antigas profissões, que lançavam os seus pregões pelas ruas da cidade, na ânsia de arranjarem algum trabalhinho. Este jovem poder-se-ia incluir nesse rol de pequenos/grandes trabalhadores. 
 
"Gatear tudo que fosse loiça partida em cacos, era tarefa do “deita-gatos”, um servidor ambulante (...)
Nesse prolongar de vida de muitas peças de barro e de faiança (...) tinha papel importante o deita-gatos (...) 
O nosso homem começava por unir os cacos e, por cada “gato” (um pedaço de arame terminado por duas pequenas garras) a colocar, marcar os dois pontos onde fazer um furo com a ajuda de um broquim primitivo (...) Juntos e colados todos os cacos era a vez de, com a arte que a experiência sempre dá, introduzir as garras dos “gatos” e fixá-los de modo a ficarem bem apertados". Estas palavras pertencem ao Dr.Galopim de Carvalho, que as publicou no facebook, juntamente com algumas imagens.
A sociedade de consumo desenfreada que hoje vivemos, não dá valor ao que ficou, gateado, partido e colado, mas guardado com tanto zelo. Felizmente que alguns, quiçá muitos, sabem que essas peças representam uma vida de sacrifício, na qual o aforro e a poupança estavam presentes. Pelos comentários que li - bastantes - o carinho e cuidado com as peças "gateadas", herdadas dos avós - colocadas em lugar de destaque nas salas, demonstram que algumas mentalidades talvez estejam a mudar.

 
 
Podemos apreciar bem o espírito de economia patente nesta imagem. Nada menos que treze gatos para as fracturas sinuosas que nos é dado observar. Embora a serventia da palangana já não fosse a ideal, continuava em uso, para outras funções sempre presentes e necessárias nas casas simples dos seus proprietários. Nada se deitava fora, tudo se aproveitava.




 
A palangana ratinho, vista de frente, mostra uma cercadura com um ramo florido, entrelaçada com filamentos a sugerir a pluma de pavão. Ao centro, uma paisagem enche o covo. Torna-se difícil dizer se foi pintada originalmente, ou acrescentada posteriormente. As dúvidas são pertinentes, pois a temática foge aos cânones decorativos deste tipo de faiança. Aparte esta incerteza e as mazelas que sofreu, é uma peça bonita e cheia de cor.
 
 
Ó rapaz que deita gatos
Deitas gatos só em pratos,
Só em tachos e tigelas,
Ou deitas gatos também
Nas almas e no que há nelas
Que as quebra em mal e em bem?
Ah, se, por qualquer magia,
As tuas artes subissem
Àquela melhor  mestria
De pôr gatos que se vissem
No que sonho e no que sou!
Então...Qual então! Que tratos
Dei a um poema que surgiu!
Só consertas, só pões gatos
No inteiro que se partiu.
O partido nasceu
Nem tu consertas nem eu.

Fernando Pessoa, 1933

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Ex votos numa colecção particular

 
 
Há algum tempo, ao folhear um dos catálogos do Palácio do Correio Velho, deparei-me com uma belíssima colecção de ex votos, ou promessas, que é outra das designações pelos quais também são conhecidos. Parece que foi propositado este encontro, pois dias antes, ao reler um dos artigos de Carlos Silva Lopes na compilação dos seus textos, efectuada pelo GEAD Gabinete de Estudos de Arte Decorativas da Universidade Católica Portuguesa, edição de 2004, encontrei o texto "Algumas peças de mobiliário nas tábuas votivas portuguesas", publicado no suplemento semanal de O Primeiro de Janeiro, de 3 de Novembro de 1968, onde o autor faz referência a peças de mobiliário desenhadas nessas ingénuas representações votivas. Para além do seu carácter devocional e de agradecimento pelas graças concedidas, são, também, excelentes fontes documentais para o estudo socio económico das épocas em reporte, dado que, muitas delas são datadas.

 
Neste exemplar, pintura a óleo sobre tela, Dª Maria Antónia Teixeira Chaves agradece a intercessão de Nossa Senhora das Ermidas, pela sua cura devida a um perigozo aborto ocorrido em Dezembro de 1776. O ambiente retratado indicia uma casa nobre. O seu proprietário, João F. Moraes Sarmento, fidalgo de caza de S. Mage. morador na cid de Miranda Reyno de Portugal, pertencia à fidalguia do reino. A imagem de N. Srª das Ermidas  surge ao alto, à direita, sobre nuvens. A composição restante mostra o interior do quarto, com a doente  repousando num leito de espaldar e dossel. Os tecidos são luxuosos, com rendas, franjas e borlas. Outros móveis, como um armário e cadeiras de braços, podem também, ser vistos. O tecto, dividido em caixotões com fechos de talha, mostra a riqueza da família e alguma educação artística do pintor, que representou, com fidelidade, alguns pormenores, que se evidenciam nas "franjas dos cortinados, nas rendas dos lençóis e cobertas das camas dos doentes"1. 
 
 
 
Ex voto invocando Nossa Senhora das Neves ao Captam José d'Affonseca Pinto caso o livrasse de uma grave moléstia (...) Seixo Setembro da era de 1719. A cena representa o interior do quarto do capitão, onde se pode observar o doente, na sua cama de dossel, com panejamentos e cobertas. Está rodeado dos seus serviçais, em atitude de agradecimento a Nossa Senhora que, representada entre nuvens, se encontra em posição cimeira, à esquerda. O pintor representou o quarto com as paredes, chão e tecto pintados de cores variadas. O exame atento destas pinturas revela " facetas curiosíssimas da vida doméstica portuguesa"2. 

 
 
 
 
Este último ex voto, de cariz mais popular, representa uma graça concedida por Santo António, que livrou uma menina de ser atropelada por um carro de bois. Este quase acidente teve lugar em Vila do Conde, no ano de 1719.
Representa uma cena de exterior, na qual se pode ver uma rua de Vila do Conde onde circula um carro puxado por bois, carregado de sacos e conduzido por um homem do povo. A menina, objecto da graça concedida por Santo António, encontra-se debaixo do carro. A imagem de Santo António, posiciona-se à esquerda, envolvida numa nuvem.
Para terminar esta breve abordagem, ainda nas palavras de Carlos da Silva Lopes " erros e fantasias dos autores das pinturas votivas não anulam o valor documental das representações, quaisquer que elas sejam".  Trate-se de cenas marítimas ou terrestres, de acidentes de viação, de desastres ou de enfermidades na própria casa, com frequência as promessas apresentam pormenores de interesse para a compreensão da vida de outros tempos"3.
 
 


 
1/2/3- Carlos da Silva Lopes " Estudos de História do Mobiliário", pág.123 e 125. 
 
 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Mes Dessins. Mes Endroits Préférés.

 
 
 
 
 
 
 
Portfolio em pergaminho contendo reproduções de 119 desenhos e aguarelas executados pela rainha D. Amélia, entre a última década do século XIX e a primeira do século XX.
Maria Amélia Luísa Helena de Orléans, princesa real de França, nasceu  em Twickenham, Inglaterra, no dia 28 de Setembro de 1865. Era filha de Luís Filipe, Chefe da Casa Real de França e da Infanta de Espanha, Isabel de Orléans  Montpensier. Quando foi levantada a interdição de viver em território francês, imposta aos representantes da família real, estes puderam regressar a França e habitaram o castelo d'Eu, na Normandia. Daí partiu para Portugal, onde entrou em Vilar Formoso, na madrugada de 19 de Maio de 1886. Noiva do Príncipe Real D. Carlos, vem a tornar-se rainha de Portugal em 1889, por morte do rei D. Luís.
Rainha-Mãe e Rainha-Viúva entre 1908 e 1910, parte para o exílio, vindo a fixar residência no Castelo de Chesnay a partir de 1920, local onde viveu até à sua morte, em 25 de Outubro de 1951.O seu corpo regressou a Portugal com honras de Estado, encontrando-se sepultada no Panteão Real do Mosteiro de  S. Vicente de Fora, junto do marido e dos filhos.
Senhora de forte personalidade e de esmerada educação, teve grande preocupação com os mais desventurados, procurando acudir-lhes com palavras e acções de conforto. Por sua iniciativa se criaram obras de assistência, como o Instituto de Socorros a Náufragos, o Dispensário das Crianças, em Alcântara e a Assistência Nacional aos Tuberculosos. Mesmo afastada de Portugal, a sua preocupação era constante. O Conde de Sabugosa, seu fiel e leal amigo, propôs-lhe a edição dos seus desenhos em dois álbuns, com o objectivo de angariar fundos para acudir a tal flagelo.
   
 
 


 
 
Foi, pois, por insistência do Conde de Sabugosa, que a rainha acedeu à sua publicação. A receita apurada destinou-se ao posteriormente denominado Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos.  


 
 
Editado em 1926,em Paris por "LE GOUPY, EDITEUR, teve uma tiragem de 250 exemplares. Impressão realizada para a Condessa da Ervideira, com o número 151.
 
 


 
Segundo as palavras de Samanta Coleman-Aller "consta de 119 reproduções de desenhos que ilustram uma selecção do mesmo número de textos, escolhidos e manuscritos pela Rainha, de obras de Camões, Homero, Becquer, Dante Allighieri, Petrarca, Zorrilla, Gil Vicente, Baudelaire, Victor Hugo e Alexandre Herculano, entre outros. As "ilustrações" são em ocasiões obras que ocupam por completo a página e, noutras, apenas anotações na margem ou, até, em jeito de letras capitulares. A capa que reúne esta selecção é em pergaminho cor de marfim com dois atilhos em pele que fecham abotoados com pequenas bolinhas de marfim. A frente é decorada com a coroa real ao centro e nos quatro cantos o monograma "MA".

D. Amélia tinha uma especial predilecção por Sintra e Vila Viçosa. Alguns destes desenhos e aguarelas dizem-lhes respeito.

 
 
Este desenho do castelo de Vila Viçosa vem referido no índice com a expressão "Muraille extérieure et porte d'entrée du vieux châteaux de villa Viçosa (Dessin), executado em 1901.  O texto que o acompanha pertence à "Divina Comédia", de Dante



Resultado de imagem para castelo de vila viçosa
Imagem retirada da internet


 
 
O Paço da Vila, em Sintra, desenhado em 1897, a partir da fonte de Sabugo. Dá-lhe corpo um poema de Garrett:
 
Oh! Nobres paços da risonha Cintra,
Não sobre a roca erguidos, mas poisados
Na planície tranquilla - que memorias
Não estais recordando saudosas
(...)

 
 
 
Outra ilustração, de um pequeno apontamento do tecto da conhecida "Sala das Pegas" recorda o episódio das pegas de Sintra, passado nos tempos de D.João I e de D. Filipa de Lencastre. Acompanha este desenho um poema recolhido por Garrett, no seu Romanceiro.





O Príncipe Lichnowsky descreve a sala de jantar do Paço de Sintra,  como sendo  a sala das pegas que têm no bico uma fita com a inscrição "Por Bem". O rei D. João I terá ordenado a pintura destas imagens, de modo a que a resposta que deu à rainha D. Filipa, quando esta assistiu ao beijo roubado a uma das suas damas. Sem malícia, unicamente, "Por Bem".
Também interessaram a Rainha outros locais e peças de museu, que desenhou e deixou para a posteridade. Como exemplo, um desenho inspirado na "Pièce d'armure de François 1er par Benvenuto Cellini, existente no Musée d'Ajuda", pintado em 1895, a que juntou palavras de Camões.
 


Samanta Coleman - Aller, Casa Museu Medeiros e Almeida.
palacio-de-sintra.blogspot.com
Ivete Ferreira - "As Rainhas D. Maria Pia e D. Amélia e o Traje Feminino em Lisboa: 1860-1910". Matrizes da Investigação em Artes Decorativas, pág. 147.


domingo, 18 de dezembro de 2016

Natal de 2016

 
 
 
 
 
Uma composição que encanta pela serenidade.  Nesta incerteza que são os novos tempos, que a adoração do Menino nos traga Paz e Alegria.
Um Feliz Natal a todos.
 




quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Uma aventura e o o Museu do Cristo








 
Numa manhã de Outono, soalheira, mas já a chamar o frio, partimos da gare do Oriente a caminho do Porto.
Tínhamos como destino visitar o Museu do Cristo, instalado no edifício da Irmandade dos Clérigos. No Alfa (cujo estado das carruagens deixa muito a desejar) o tempo passou num ápice. Em conversa agradável e amena fomos dissertando sobre tudo e sobre nada, mas com uma cumplicidade que nasce do respeito e amizade profunda que se foi cimentando, ao longo de uma vida, que já vai um pouco longa.
O tema foram as colecções que este Senhor foi coligindo e desenvolvendo, com especial enfoque para peças que contivessem, em si representada, a figura de Cristo.
E ... de repente estávamos em Campanhã. Para um conhecedor e vivenciador do Porto, rumámos ao restaurante Aleixo. O almoço foi um dos afamados pratos desta casa - filetes de polvo com arroz de polvo. Tudo estava uma delícia.
 
 
Aproveitei e fui fotografando os prédios desta rua e de outras por onde, entretanto, fomos passando. Este aparte é para o Luís Montalvão. Fachadas de azulejo, cada qual mais bonita e interessante. Elementos de fachada em cerâmica - balaústres, pinhas, vasos e uma claraboia - que mereciam um estudo. Deixo uma imagem para deslumbrar e fazer nascer a vontade de ir até ao Porto e caminhar, de nariz no ar, para absorver bem a atmosfera romântica ( obviamente, refiro-me ao Romantismo), que, ao longo dos anos, foi vivida em terras portuenses.
 
 
 
 
Mas, o tema deste post é sobre o Museu do Cristo. Nasceu da vontade do seu doador. A colecção é composta por uma grande variedade de peças, cujo denominador comum é a imagem de Cristo.
Na fachada lateral do edifício fica a entrada do Museu. Recebe-nos um fragmento de Cristo, imagem recuada no tempo, de alta época, cujas linhas apontam para uma serenidade suprema.

 

 
 
É grande a variedade de imagens, pelo que se torna difícil a escolha. Para não tornar o texto muito  pesado, peço que se imaginem no museu e apreciem algumas das peças em exposição.
 
 
 
 
 
 
 


 
 

 O doador, Dr. António Miranda, quis, por sua vontade,  que todas estas belíssimas imagens pudessem ser fruídas por todos nós. É um convite para irem ao Porto, visitar uma cidade que, só a pouco e pouco, nos revela os seus segredos. Bem haja.
 
 
 
 


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Coimbra tem mais encanto

 
 
O azul é a minha cor favorita. As faianças um dos meus temas de eleição. Em conjunto, tornam-se um motivo para debater algumas ideias, aventar hipóteses, sugerir ...
Neste recanto em tons de azul reuni algumas peças que poderemos, com alguma certeza, atribuir à produção coimbrã. As palanganas  são-no, indubitavelmente. As terrinas, pelo formato, pela cor, pela decoração, também apontam para uma mesma  proveniência.
 
 
 
Duas peças em ricos tons de azul, com apontamentos de manganés. Nitidamente inspiradas na produção oriental e no conceito de horror vacui mostram-nos uma ornamentação de vegetação exuberante, na qual as flores se distribuem por toda a superfície, numa clara demonstração de vontade de o autor preencher todo o espaço de que dispunha. Partindo de uma base assinalada por dois traços, as ramagens espalham-se, subindo até ao topo, definindo um eixo vertical à composição. Pelo meio, breves apontamentos de leves pinceladas, assumem-se como as folhas desses mesmos ramos de flores. Estas, em esponjado, uma das características que define a Faiança Ratinha, exibem a sua riqueza cromática, nos seus magníficos azuis, limitados pelo correr do pincel, em traços cheios ou ondulados, numa interpretação livre dos seus autores.
 
 
 
Entre outros materiais, considerados mais ricos e nobres, a pobreza da faiança coimbrã, moldada pelas mãos rudes e trigueiras dos seus artesãos, revela toda a sua riqueza nas formas, na policromia, na decoração e num enternecer que aquece as almas.


 
 
 
Palangana de ramo central de flores de linho. Sereno e belo. Toda a sua pujança está na cercadura, encordoada, num entrelaçar entre círculos esponjados e  traços elegantes e leves. A sua bicromia - azul e manganés - sobressai no fundo branco leitoso do seu revestimento esmaltado.
 
 

 
 
Duas terrinas que poderão ser atribuídas à produção (?) de Coimbra. Os seus tons de azul conjugam bem com as peças ratinhas anteriormente caracterizadas. A forma hexagonal de uma delas é usualmente atribuída a Coimbra. A sua decoração marmoreada lembra os lambris de azulejos, igualmente marmoreados,  que cercavam muitas das composições azulejares que podemos observar in loco ou nos museus. Ambas têm um tamanho mignon . Por isso ainda mais atraem o nosso olhar.